Entre curvas,
memórias e clássicos.
Este blogue não é apenas sobre carros antigos — é sobre as histórias que cada um carrega pelo caminho.
Uma vida com cheiro a óleo, estrada e história.
Chamo-me Patrícia. Nasci em 1993, tenho uma queda assumida por carros antigos, uma ligação incondicional a animais e um apreço seletivo por pessoas.
A minha comida de conforto é arroz de cabidela. E se me perguntarem qual é o meu destino de eleição, a resposta sai sem hesitar: Itália.
A minha família é a principal culpada por estares agora a ler este blogue.
Desde muito pequena que os meus sábados tinham cheiro a óleo. A minha mãe vestia-me a “roupa de sujar” e lá ia eu acompanhar o meu pai para a garagem. Entre limpar peças, pintar outras, separar parafusos de anilhas e ouvir conversas sobre motores, fui absorvendo o encanto dos automóveis clássicos. Não ia obrigada. Gostava mesmo daquilo.
Mas o vício não era só nosso. Os meus primos Filipe e Gustavo juntavam-se à festa — um mais virado para a mecânica, outro para as limpezas — e mais tarde vieram o meu irmão Henrique e os primos mais novos, o Gustavo e o João. Cresci no meio disto. E fazer o que gostamos é bom, mas fazê-lo rodeada de quem amamos é ainda melhor.
“Quando chegares aos pedais, ensino-te.”
A vontade de conduzir apareceu cedo. E o dia chegou. Tinha 13 anos quando me levou ao aeródromo de Espinho, pôs uma almofada atrás das minhas costas e colocou nas minhas mãos o volante do BMW Isetta 300 de 1957 — o primeiro carro dele, comprado em 1982, e o menino especial da família.
O sorriso ficou-me no rosto durante dias. Mal ele sabia que, naquele momento, estava a pôr em marcha uma paixão que nunca mais iria travar.
Quando tirei a carta, o Isetta tornou-se o meu carro de dia-a-dia durante um ano inteiro. Trabalho, praia, compras — fiz cerca de 10 mil quilómetros naquele pequeno grande carro. Foi uma excelente escola de condução que, com todas as suas manhas e particularidades, ajudou-me a adaptar a qualquer automóvel, por mais diferente que ele seja.
Cada carro trouxe uma história. E cada fim, uma nova procura.
Em 2014, recebi um Citroen AX 11RE de 1988, o carro das primeiras alterações, das primeiras piadas, dos primeiros acidentes e dos quase 60 mil quilómetros percorridos ao longo de quase sete anos.
Acabou varrido por uma carrinha que passou um vermelho. Um fim pouco digno para o nosso AX, que achávamos que iria terminar como “ligeiro do mato”. Mas cada fim traz uma nova procura. Eu queria algo mais antigo. Com alma.
Foi o fim de uma era, mas também o início de uma nova busca: queria algo mais antigo, com alma — um carro que tivesse histórias para contar.
Foi então que encontrei um Toyota Corolla 1200 de 1971, azul-claro, com apenas um dono e pouco mais de 50 mil quilómetros. Quando o vi, soube que era ele. Depois de algumas negociações, trouxe-o para casa. Com o odómetro prestes a reiniciar, continua a ser o companheiro mais fiel que poderia desejar — confortável, simples, honesto e com personalidade.
Depois de tudo isto, aposto que já não se espantam se vos disser que o meu trabalho é com automóveis. Sim, é verdade.
Em 2020 comecei a trabalhar no Clube Português de Automóveis Antigos (CPAA), um nome que sempre fez parte da minha vida, já que o meu pai é sócio desde 1984 e cresci a acompanhar os eventos do clube. Hoje tenho o privilégio de trabalhar diariamente com aquilo que mais amo: carros com história.
O Entre Curvas e Clássicos nasce dessa vontade de partilhar.
De mostrar que o amor pelos automóveis vai muito além da mecânica: é sobre viagens, emoções, encontros, memórias e momentos que ficam gravados como fotografias antigas.
Aqui vou contar as minhas viagens, as visitas a museus, os eventos, as melhores estradas e as histórias que vou encontrando pelo caminho.
Porque no fim, é isso que me faz feliz: seguir estrada fora, sem pressa, de janelas abertas e coração leve — à procura da próxima curva e da próxima boa história para contar.
Se te inspirar a pegar nas chaves, sair da rotina e descobrir o prazer simples de estar na estrada, então já valeu a pena.
Põe o cinto e viaja comigo.
