Tínhamos um fim de semana prolongado pela frente e vontade de fazer quilómetros.
“Que tal irmos até à Serra da Estrela?”, pensei eu.
O destino ideal para uma escapadinha ou até mesmo um longo dia de passeio, onde abundam as boas estradas, os bons costumes, as boas gentes e as boas paisagens.
Desafiei os suspeitos do costume e requisitei o Volvo 144S do meu primo. Mas desta vez houve uma diferença: não tive de organizar nada.
Em conversa com o amigo João Vale, comentei que estava a pensar ir para os lados dele, e, sem hesitar, tratou de tudo: definiu o percurso e até nos marcou mesa para jantar!

Foram dois dias muito bem passados, e não podia deixar de partilhar este roteiro por terras tão boas, recomendado por um beirão de gema. Leiam, tomem notas, encham o depósito e arranquem na aventura.
Ponto de partida: Espinho
Duas horas é o tempo que nos separa da montanha mais alta de Portugal Continental. Mas nós, vamos demorar um pouco mais.
Fomos buscar o Volvo, verificamos (e acrescentamos) o óleo, e fizemo-nos à estrada. Sempre por nacionais, as primeiras a conquistar-nos foram logo em Arouca. A beleza das estradas da Serra da Freita não deixa ninguém indiferente. E na primavera, ainda menos.
Para onde quer que se olhe, tudo é um manto florido. Avançamos pelas estradas cujo traçado se perde no horizonte infinito.
Passamos por São Pedro do Sul, Viseu, Mangualde, Gouveia, até entrarmos finalmente na Serra.
Quando falei com o João, dei algumas dicas do que queria: estradas divertidas, um sítio bonito para um piquenique e um um bom restaurante para terminar o dia. E assim foi.
Paramos em Vale Rossim para almoçar. Exatamente o que pretendia: um local tranquilo, preparado para merendas e com uma vista deslumbrante sobre o lago. Assamos um chouriço, abrimos uma cervejas fresquinhas e desfrutamos.
Foi também aí que tivemos um pequeno momento de surpresa: ao abrir o capot para verificar se estava tudo ok, percebemos que a vareta do óleo tinha ficado esquecida, pousada entre a bateria e o capot, desde a manhã. Como é que se aguentou ali durante a viagem? Não sabemos.

Seguimos depois por quilómetros de curvas desenhadas com mestria, num pavimento impecável que nos levava a percorrer a imponente paisagem granítica da Estrela. Já na conhecida ER339, fizemos uma breve paragem na Barragem da Lagoa Comprida, passamos pela Torre e continuamos. Ao longo do percurso, os miradouros sucedem-se, e escolher onde parar torna-se quase impossível. Acabámos por fazer uma curta paragem no Miradouro da Varanda dos Carquejais, para cumprimentar a Covilhã, que naquele momento se estendia aos nossos pés.
O jantar, por “ordem” de quem é da casa, foi na Varanda da Estrela. Uma verdadeira celebração de sabores regionais. As sugestões foram: pernil de pato, pernil de leitão e aba de vitela. Provamos e aprovamos!
Acordamos no segundo dia rodeados por natureza e ar puro, prontos para regressar. Porque tudo o que é bom passa rápido.
Mas antes, uma paragem obrigatória: queijos e chouriços para levar connosco um bocadinho da Covilhã.
O João já tinha prometido que o percurso deste dia ia ser uma agradável surpresa. E, de facto, foi verdade. Fiquei completamente enamorada com a estrada e a paisagem. O amarelo das maias pintava a serra, num cenário tão natural, tão simples e tão bonito. Sem dúvida, uma das melhores estradas que já fiz em Portugal.
A ligação entre Manteigas e Folgosinho foi outra surpresa. Cerca de 20 km de traçado curvilíneo por paisagens arrebatadoras, que nos fazem lamentar não ter por ali passado antes.
Terminamos o roteiro no conhecido “O Albertino”, no coração da aldeia de Folgosinho, onde nos esperavam cinco pratos de comida de conforto. Um autentico “abuso”, no melhor dos sentidos, deixou-nos refestelados e prontos para o regresso a casa.
Para terminar, deixo um conselho: para quem acha que a Serra da Estrela é bonita apenas no inverno, está enganado.
Visitem a Beira Interior na primavera ou no outono, e prometo que não se vão arrepender.












